Destes por símbolo o tirso e o mar revolto
a repartir-se em diamantes
a fragmentar-se em mar e cores
e justo assim, não te mato,
não consigo matar-te
na nascente que sou
e por isto, como maré
corres afluente em meu corpo
domína-me, fico a teu controle
e por isso despejas este véu
de brancura vívida
na foz do que sou
e por isso tens e contornas a mim: oceano
sobre a mesa
deixo a chave
sobre a clave
do meu peito
descoberto
tudo é receio
tudo é regresso
no deseje pouco
de esquecer tudo
reparto em mim
meios e afins
para refazer
de cada instante
pensamento
inconstante e vasto
que a tudo perde
e que tudo causa
repartido e solo
como água ao chão
perde sua natureza
são divindade de mar
e vai, rumo ao céu
rumo à volta
de volta ao mar