sexta-feira, 13 de maio de 2011

A nuvem radioativa

O chá das 5 é o meu momento Balzac no dia. Sento no meio das xícaras e canecas, cafés e sucos vou entre um gole e outro escrevendo coisas e reescrevendo tantas mais. Bebo memórias que me engasgam como fossem biscoitos de barro. E entre um passo estático e outro, fico por testemunha das trocas de cores que a tarde carrega, tanto mais num dia quase-sol, quase-chuva como são estes de fins de Outono enquanto sou eventualmente convocado a fingir normalidades. Mas ao fim da tarde, como sempre, hão de olhar-me estranhamente, vou pensar que estou mais uma vez com a boca suja de tinta, ou com lápis na boca, então fingirão rir excentricidades e esquecerão, enquanto eu ignoro e volto a assumir na cobertura minhas excentricidades e labutar as palavras nos porões de um 13 de maio. 

1 folhas:

Daniel Prestes disse...

gostei. nas minhas horas balzaquianas, eu bebo conversas, meus amigos e a mim. =)

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