quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Prece

Que eu jamais me esqueça que a poesia nasce dos olhos e não do coração.
Que eu não me esqueça que nos servimos mutuamente
ela me diz e eu a completo.
Que eu não me esqueça
que sempre haverá pontos finais
mesmo que o verso vede
mesmo que o verso cale
omita, esconda, tape
mesmo que o verso apague
apague o agúrio dos poetas velhos
e dos anúncios jovens
que eu não me esqueça
que há sempre um por vir
e eu ei de ir.
ou vir
se assim deseja o tempo
se assim me seja pertinente
eu não volto mais.

Que eu não me esqueça
que eu sou o maior poema
que meus olhos já escreveram.
Que eu não me esqueça
que pra toda frase há um fim.
Fim.

Trânsito

Fui e voltei.
Nada havia além daqui
ou do lado de lá.

Em todo recanto
só haviam vozes
o cantos há mais.

Em tudo  móveis velhos
só resto, o pó, fatos cegos
de lembranças que não nos serve mais.

Óh, filhos de mim,
do ventre e do barco
só há átomos

versos e candelabros
perdidos em páginas
riscadas pelo cursor do tempo.

E além daqui ou de lá
não há mais nada
em qualquer lugar.

Em Pedaços

Em mim habita um pedaço de pranto em cada sorriso. Já sei que não sou por inteiro, sendo assim não tenho permissão para doar-me a quem esteja por inteiro. Eu busco os pedaços por é lá que está o todo, e é lá que me encontrarei. Só a glória do vestígio me diz respeito. O gosto austero do instante não me diz nada, porque só o retalho conta história.

mentiras

Muitos de nós contam mentiras sem saber que o maior risco é nós mesmos acreditarmos nelas
até o acaso é uma questão de sorte.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Cheiro de Anil


O mar azul e branco

E as luzidas pedras
Onde o que está lavado se relava
Para o rito do espanto e do começo.
Onde sou a mim mesma devolvida
Sal, espuma e concha regressada
À praia inicial de minha vida



Renunciei a tudo aquilo que não me era mais memória digna de ser dita. Abandonei tudo que não fosse palavra-viva em favor de algo maior: eu. Só o que vive pode, por impulso, força desejo ou lógica inerte me mover e dizer que é parte de mim.


Limpei, rasgue, queimei e lancei aos outros tudo que não me interessa: livros que não explicam mais, cartas ocas de sentido, músicas que não me tocam. Nada disso pode me interessar mais porque agora estou em regeneração. E se falam que sumi, sumi, porque essa habilidade me voltou e é ativa, não se esconde ou faculta a si mesmo no emaranhado das coisas idas e dos sentimentos que hoje me dominam.

Reconheço que perdi em doçura, mas ganhei em força. Posso não ser mais a pessoa leve, mas o peso não me pertence também. Estou em umbrais maiores e dos quais eu sou natural. Reconheço que meu lugar é o não-lugar, um espaço breve, em suspenso, entre o isto e o aquilo. Recusei tudo que fosse exigência desnecessária à minha pessoa.

Lavada à alma em pedras brancas, a água azul de minha alma flui leve e forte pelo meu novo corpo. A carcaça ainda me é a mesma. Sorte esta! Posso dizer das coisas que fui, das que me disseram e ser, dizendo que cresci, e cá estou: limpo, lavado e renovado. Cá estou.

sábado, 12 de dezembro de 2009

A Hidra que fere o laço

   Sou honesto em dizer que gosto que ajudar as pessoas. Não me recuso em lhes ouvir os problemas e tentar guiá-las, sempre que possível, a um pensamento o qual elas mesmas possam encontrar as respostas de que precisam, porém nos últimos dias, tenho me preocupado,visto algumas situações, em não ser apenas isso na vida das pessoas. Não é de forma alguma do meu interesse desempenhar o papel de catarse, de idiota ou de qualquer coisa nesse sentido. Evidente que como amigos, há momentos em que isso se faz necessário, mas isso não pode ser a maior parte do tempo. Há algo maior na amizade: o cuidado.

   Cuidado quer dizer amor, zelo, responsabilidade para com alguma coisa. E alguém que só lança sobre outra mágoas e tristezas não está cuidado belo bem estar dessa outra pessoa. Ao menos é isso que imagino. 

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Tudo por uma amizade sincera

Dois amigos conversam sobre o que esperam da pessoa amada:

Thiago:
Sabe... eu querinha um carinha mais ou menos da minha idade, com um olho verde e um azul, que não se importasse quando o jeans estivesse sujo ou a camisa amassada, que pulasse a parte de esportes no jornal
e não conseguisse completar as cruzadinhas todo dia; um cara que ficasse quentinho e com o nariz vermelho quando gripasse; que me abraçasse e eu ficasse sem vontade de soltá-lo; um cara que desse pra ver a cor da lua pela cor dos olhos dele e o brilho das estrelas pelo brilho dos olhos dele. Onde é que eu acho isso ?

Pedro:
Mas amigo, se eu soubesse, você acha que eu ia te contar?
Amigaaaaa, allloooooooow!!!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

... So quiet?

It's oh so quiet
It's oh so still

You're all alone
And so peaceful until...
(Björk - Its Oh So Quiet)


; não, não está errado ou incompleto. Mais do que nunca está correto. É isso mesmo: começa com um ponto e vírgula. O que significa: Significa que uma pausa foi feita, mas que haverá continuidade. O que significa ? Significa que há vida pulsante aqui. A vida já começa pela metade. Há uma parte de nós em cada resquício do passado anterior ao nascimento que é tão parte de nós quanto o agora ou o ontem; todavia ignoramos.

Como ter certeza de que sou inteiro sabendo que em algum lugar dentro do corpo de minha mãe, em algum lugar dentro do universo que não pertence a mim ou a qualquer outra pessoa existe uma parte de mim de que sou desconhecedor ? Como ? Como prosseguir sem saber que dentro de mim há pedaços de mim que eu desconheço, ignoro, recuso ou dos quais tenho asco ? Não! Mas não pode.

 A vida parece ser pela metade, e como tal o final também é de súbito.

Posso sofrer, mas não recuso a consciência. Não posso, não devo.

Em meu mundo há sonhos, utopias, frieza e racionalismo. Antíteses se misturam e relacionam, mas não permito que o irreal  nada me tira a consciência do que em mim é real, sej aconcreto ou não.  Eu sou esse turbilhão todo.


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A fuga, o palco, o êxtase, o acaso...


"Havia algo no ar
Que a solidão festejou
Pegar um barco em Manaus
Pegar um trem prá Moscou"
Menos de Doer, mais de doar (Adriana Maciel

 
 

 Sim, talvez eu tenha feito isso uma ou duas vezes; não sei bem ao certo. Mas sei que fugi, quando descobri que "isso" era amar. É verdade que é bom, mas como tudo que existe e faz parte do mundo há ônus e bônus,  e que seja feita justiça, maior das vezes os ônus são maiores e a maior parte do processo. Em todo caso nunca tive medo. Digo que fugia, e que ainda hoje o faço é porque não é essa minha meta. Não redicularizo caso aconteça, mas que seja feita sua lógica. A cada ser é dada a hora certa para acontecer. Como todo Touro sou obstinado, não tenho receio de esperar pelo que me é certo, e essas coisas sempre são certas. Acaso os ventos mudem, tudo bem. Posso ter pouco em anos por enquanto, mas acredito que já conquistei certa medida em disciplina, resposabilidade e maturidade. Ainda não reconquistei a minha certeza, aquela coisa de saber o que se é, quando e como se é, dos meus anos de infância, mas sei que o meu caminho é minha responsabilidade. Tenho tomado precauções para não voltar atrás em minhas decisões, respeitando as opiniões alheias e me permitindo experimentar o que o acaso me oferece e opto por ser. Tenho me aventurado em todos os palcos sem o mínimo receio de parecer ridículo. Aliás, preciso me corrigir, ainda tenho alguns entraves e opiniões, então ainda sou avesso a alguns palcos, mas vejo aqui que muitas mudanças foram feitas.  Nasce em mim um sentimendo prático, altivo e humano. E eu vou ao encontro do inesperado.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Petrus

Sim, suponho que amei.

Despir

o versejar da palavra
me preenche de silêncios
e segredos.

não sou um anti-vida
titânico ou tirânico
que o valha.

Eu sou a corrente fresca
da brisa em tua cara
firme e plácida como o tempo

e no traçar da coisas idas e vindas
que seja eu fluído e constante
ou qualquer coisa como solta ao léu de tua vida

Não quero o fixo
alço sempre o mais justo
o mais sublime e súbito

Não, do amor não me digas nada
é tudo página virada
a vida acontece agora.

E se me queres levar daqui
tire-me somente agora
porque é teu meu eu agora

e se a palavra não me diz
cala, escuta o silêncio,
persegue!

Nunca estarei na primeira linha
sou o verso calado
tímido, quase vago

mas que te diz
te toca a pele
e te preenche a alma

não te prometo nada
mas cala  tua boca
e me convida à alma

Lá te mostrarei
as mansões celestias
dos que calam por amor

e vivem silenciosos
presentes de um instante breve
contudo eterno, que é tua presença

E se não te digo isso
boca à boca , palmas dadas
é que de mim já tiraste a fala

domingo, 1 de novembro de 2009

Outubro



Não tenho do que reclamar, e mesmo que tivesse não seria essa a solução: Outubro me foi absolutamente fértil e favorável. Tudo me foi fértil e propício, não tive atroples, muito pelo contrário, todas as graças que pedi me foram atendidas, e nesse sentido sou grato aos deuses por mostrarem seu semblante pio  e complacente à minha causa.

Hoje comecei a rever meus diários dos anos passados comecei a me analizar. Em suma sou a mesma pessoa em um grau superior. Corrigi alguns defeitos que a imaturidade da pouca idade me impunha, outros defeitos não consegui remediar. Continuo ciumento dos amigos, desejoso de crescer, leal aos meus princípios, teimoso quando necessário e solidário quando é hora de ser. Tenho andando mais devagar, me propiciado conhecer o ritmo das coisas. E acho que estou indo no caminho certo, de qualquer forma isso é algo que só poderei descobrir em outro momento, não agora.

Em outubro:

 3 Músicas

- Segue Teu Destino , Maria Bethânia
- Ciclo, Pedro Mariano
- Flor de Ir Embora, Maria Bethânia

3  Poemas

 - A Sonhar Venci Mundos , Ricardo Reis (F.P.)
 - Marcha, Cecília Meireles
- Tabacaria, Fernando Pessoa

3 Filmes

- Há Tanto Tempo que te amo
- Da Magia À Sedução
- Juno

3 Acontecimentos Relevantes

- Espetáculo "Pão com Mortadela"
- Presente da Álex
- Apresentação do manuscrito do Apologia da Torre à Academia Paraibana de Letras

3 Pessoas

- João Paulo
 - Izaqueu
- Pedrinho

sábado, 31 de outubro de 2009

Assim é a vida Charlie Brow

nada como um pé na bunda pra dar assunto pra blogar!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Esse laço entre nós dois

Esse laço entre nós dois
a unir, atar e firmar o acordo íntimo que há
e como não haveria de haver
já que eu e você somos um em um
Não há eu sem você porque você é mim
e min sou eu.

Nessas coisas só posso acreditar que
nada em mim excede ou falta
sou exatamente da minha medida
nada a mais!
A minha medida é o passo do tempo
e o contorno do vento
e o correr do pensamento.

Não sou nada que eu não seja
confluo entre planetas e estrelas
desejo o que me anseia
e vôo, perseguindo o pulso contínuo de minhas agonias e ânsias

No espelho não há nada. Aquilo que se reflete nãoé uma pessoa
é apenas um símbolo para o que sou
Eu me perco no labirinto infinito de possibilidade
caminho entre palavras, verbos: voragem
e tudo corre especificamente em mim.

Minhas veias, texturas e contornos
são um pedaço dessa estrela imensa
e mínima que é minha antítese.

Não há nada que exceda ou ultrapasse.
Eu ultrapasso o que me é alheio
porque em mim, eu sou o que devo.

Dia de Amar Seu Corpo

A desconstrução da Persona



Talvez a maior mentira de cada pessoa seja dizer que é sempre fiel, real, honesto. A realidade começa quando admitomos as falhas. É o que está acontecendo comigo. Há algum tempo, de susto, tomei consciência dessa causa no ir e vir dos fatos, acontecimentos e visões. Acredito que tenho tomado novas posições, algumas delas benéficas me levaram a excelentes oportunidades, algumas das quais eu conscientemente recusei por não me sentir ou me encontrar preprarado para tal. Conheci novas pessoas, aprendi coisas sem livros. Estou me sentindo mais vivo e mais observável. A minha antiga persona está se remodelando... minha forma de ver o mundo e de me fazer presente nele também.

Ainda continuo receoso de algumas atitudes, continuo evitando determinadas coisas, mas essas "coisas" são posturas as quais me mantém sólido, fixo à minha natureza, ao meu desejo de sempre estar com as raízes estabelecidas. É bem verdade que agora alço vôos mais altos, enxergo com bem mais potência e nitidez as coisas da noite. Não estou mais amedrontável pelo ridículo.  Minhas exigências estão confluindo com o desejo das coisas; não sou mais tão emocionado, consigo ser racional quando preciso e me atenho ainda ao espírito criança que há em toda forma de beleza. Talvez meu estado de maturidade seja um misto disto tudo que há nas coisas: insônia, inorgânica, alegria, morte, melancolia. pulso, som, aroma, cor,muita cor, pois a alma das coisas é uma sinestesia.

Desde os quinze anos eu sabia que em cada pessoa há duas pessoas. O eu e o mim, e sabia diferenciar cada uma delas.. o eu é a forma como me relaciono comigo mesmo, meu estado bravio e selvagem, meu mais íntimo ser. O mim é a forma como os outros me vêm e como eu me apresento aos outros, com todas as suas sutilezas e problemas. Mas só agora tenho tomado consciência e incosciência, paulatinamente, de como isso tudo se relaciona, se mistura e contribui para eu ser e deixar de ser esse montante de possibilidades que me apresento. E você ? Como me vê?

Evidente que não tenho deixado de lado minhas burrices. É bom levar uma patada, uma crítica ruim e um desaforo às vezes, principalmente quando eles têm razão, assim como aquele " você tem um leve ar de

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Considerações sobre a visão

    Não sei como as coisas acontecem, porquê acontecem, mas fato é que elas acontecem. Muitas vezes me perco no ir e vir dos fatos, nessa insuficiência que é o perceber num mundo em que tudo, absolutamente tudo, é simultaneamente rápido, forte e vigoroso, mas também é calmo, ritmado e sutil. E eu fico nesse universo de coisas, um objeto em suspenso mas como diz minha querida Ana C. “tal ser tal coisas”.


    Meus olhos são de mim a parte mais essencial. É neles e por eles que eu me reconheço e me faço sentir e existir no mundo. É na observação, no desejo atento de ver as coisas mudarem, de estar presente no exato momento da metamorfose que eu me translitero; pois eu também quero mudar, e nesses momentos eu mudo. Desaparecem as máscaras; não há mais o sujeito sisudo, o medo ou a moral. Vida e morte se entrelaçam e eu lhes confio minhas mãos. E naquele momento eu posso; brota em mim um sentimento de possibilidade, uma agonia permanente de transformação, de remolde, tal qual um fosse um dragão e só agora me fosse permitido a combustão e o vôo, ou seja, no momento anterior eu era apenas espera.

    E sinto que tudo isso interfere na minha maneira de escrever. Venho me sentindo cada vez mais solto e livre, mas mesmo assim não chego a objetividade. Talvez esse não seja meu traço, minha maneira de escrever. Serei sempre o sujeito do meio fio, a pender entre a realidade das coisas vistas e o onírico das coisas percebidas. Não tenho pretensão de descobrir o motivo, mas essa minha forma de ver o mundo sempre perde o senso da realidades nos primeiros instantes de vida. Não posso ver uma coisa como sendo apenas uma coisa. Ela é o resultado de outras anteriores e de pessoas, sim!, de pessoas! E pessoas são fascinantes.

    Gosto de ver o ir e vir dos corpos que dançam, mas não se conhecem; é uma dança silenciosa e invisível a qualquer forma de ceticismo; uma dança que se comunica pela linguagem sutil e discreta dos passos e sinais. Talvez ela nem exista, seja uma de minhas alucinações, mas francamente, não conheço louco mais conciso e coerente do que eu mesmo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

caminhada


Você já andou na rua com os olhos fechados ? Eu já. Faço isso constantemente. E sem dúvida. essa é a experiência mais próxima da liberdade que eu já pude experimentar. O medo de não saber onde se pisa, a direção que se toma.. todo esse frescor de nova experiência me é peculiar, natural e eu desejo secamento por isso. Eu me permito.

Não há mais cores fixas, coisas certas.. tudo se investe com uma mortalha na qual morte e vida se entrelaçam numa dança onde cada coisa pode e é constantemente construída e percebida. E ali brota toda sorte de vida.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Egeo e Egeu


Sinceramente não sou acostumado a receber presentes. Talvez eu não seja o tipo de pessoas gostem de lembrar-se ou de presentear, sinceramente não sei o motivo afinal de contas eu sou uma pessoa tão razoável, ou como diz o Marcos " eu tenho um bom coração, mas as artérias estão entupidas".  E não foi com menor surpresa que fiquei estranho à essa sensação de receber um presente de supetão e sem um aparente motivo.

Chegava em casa quando minha mãe me entrega a caixinha decorada com toda ternura que pode haver nesse mundo. E dentro da caixinha londa e delgada uma outra  pouco menor e cilíndrica, onde se via escrito à embalagem EGEO. Era um perfume.  Fico sinceramente encafifafo quando recebo presentes dessa natureza... será que ele pensa que estava fedendo ? Fato é que não gosto muito de perfumes. Dizem que tenho um cheiro natural de aveia e eu gosto dessa minha fragância particular. E com toda a controvérsia que pode haver eu gostei de tê-lo recebido; antes de mais nada porque o aroma que é agradável, pena não poder usá-lo de manhã, muito adocicado para tal, mas o nome per si já me foi um gesto de atenção e delicadeza que eu com certeza não esquecerei. E para aqueles que não conhecem bem a mitologia e a religião grega, vou contar-lhes a história do nome.


Egeo provavelmente, não sei o que veio à cabeça do boticário ao fazê-lo, deve tere sido em referência à Egeu, o mar do mediterrâneo que circunda e banha a Grécia continental e também a Trácia e Macedônia, tem seu nome devido ao nono rei de Atenas, Egeu. Egeu é o pai de Teseu, o herói que unificou as cidades as comunidades atenienses, e segundo algumas versões de sua história tinha Posídon como pai divino.  Mas o nosso tema aqui é Egeu, voltemos a ele então. Apesar de ser casado não tinha filhos legítimos, atribuindo sua infertilidade à uma vingança de Afrodite Urânia, e foi assim que introduziu o culto dEla em Atenas. Casou-se primeiramente com Meta e depois com Calcíope, mas nesses casamentos não tivera sorte, e em visita à corte do rei Piteu, uniu-se à sua filha Etra. Ao despedir-se, Egeu pediu a Etra que se porventura tivesse o filho que o criasse sem lhe contar quem era o pai, mas intruiiu-a a levar o menino a determinado lugar onde ele tivera escondido suas sandálias e espadas, sob uma pedra, e lá saberia onde encontrá-lo. Tudo isso Egeo fez seguindo um oráculo devido à sua infertilidade. O oráculo aconselho-o a não derramar vinho no colo de outrem antes de chegar a Atena, mas ele nada entendera. Contando a Piteu o oráculo, o  sábio governante de Trezena entendera a mensagem e embebedou o hóspede levando-o em seguido ao leito de Etra, sua filha. Conta-se também que Atena tivera aparecido em sonho para Etra uma noite antes e lhe disse que oferecesse um sacrifício em Sua homenagem em uma ilha distante. Cedo ela acordou e coroada de flores seguiu para a ilha determinada e ali apareceu Posídon que a possuiu, e assim se diz que Teseu é filho de Posídon. Com medo de levar a criança e Etra recomendou-lhe o segredo e seguiu de volta à Atenas. Assim Teseu cresceu em Trezena e em determinada idade Etra contou-lhe que deveria encontrar seu pai e mandou que o movesse a pedra a fim de ter a espada e as sandálias. Aos 16 anos ele conseguiu mover a pedra e com a espada em punho e sandálias em mão, sabendo apenas que eram de seu pai, e desconhecendo quem seria esse, ele seguiu a fim de encontrá-lo. E foi em direção à Atenas. No caminho até Atenas fez inúmeras façanhas que construíram rapidamente sua fama e ao chegar em Atenas ela já era tamanha que Egeu, o rei (seu pai) era desejoso de conhecê-lo, e o convidou a um banquete no palácio.

Medéia, com suas artes de advinha, soube logo quem era o estrangeiro. Sem dar conhecimento ao rei do quanto sabia, convenceu-o a dar veneno ao estrangeiro. No entanto, durante o repasto, Teseu puxou a espada para cortar um naco de  carne, e pela espada o pai o reconheceu. Logo em seguida aceitando-o oficialmente e expulsando Medéia do Palácio. Após isso muitos fatos seguiram-se, sendo a sua expedição para o Labirinto do Minotauro a fim de resgatar as sete moças e rapazes que para lé eram enviados todos os anos o mais importantes desses feitos. Egeu recomendou a Teseu que caso a empreitada tivesse êxito voltasse com as velas da nau em cor branca se tivesse voltado sã e salvo ou pretas caso não obtivesse sucesso. E ele esquecendo-se disso, acabou voltando à Atenas com as velas pretas. Egeu vendo o sinal e julgando que seu filho tivera morrido, jogou-se ao mar, que desde então tem seu nome.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

sobre o infinito.


Quando você vê o infinito a primeira coisa que pensa é que não existe. E de fato você não existe naquela plataforma de lugar, espaço,. Tudo converte-se num simulacro, um passo perdido. É uma visão aterradora, que eu felizmente cheguei apenas por conta da imaginação. Há três formas de se contemplar esse infinito e conhecer a maravilha do universo. Pelos olhos de quem se ama, pela imaginação e pelas entranhas da terra que é o inconsciente. De certa forma, elas são a mesma coisa disfarçadas de métodos. Seja pela imaginação, pelo olhar apaixonado ou pela imaginação, é sempre uma busca pelo perdido, um sentimento e desejo de perder algo que se tem e não reparou-se a fim de retomá-lo, como a descida de Inana.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

E o dia passou assim

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.


Põe quanto és
No mínimo que fazes.


Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive


- Ricardo Reis


É assim: hoje eu conheci um garoto; mas ao que tudo indica, eu já o conhecia antes. Ou será que não ? Fato é que isso é muito importante e simultaneamente irrelevante. Também é fato que tenho medo de apaixonar-me. Procuro nas entrelinhas palavras que possam me libertar. É o mesmo gêmeos, e como tal, ele é dois. E pelos dois que são em um só, me diz solene e breve: "quero te conhecer melhor". Mas voltemos ao começo...
Estava fazendo minhas coisas quando o vejo. Ela me vê e nós nos vemos. Ao início não se sabe de nada. É uma incosciência absolutamente feliz, acho que é aquela sabedoria que chamam de inocência. Acalma o corpo. Talvez eu conte segredos como quaem canta.. não temo por falar, mas escolho bem as palavras. A escrita me é necessária tanto quanto a lauz dos olho dele.

Pensara que havia cor de trigo em seus cabelos, mas não. E de qualquer forma. a luz do sol a lhe tocar a tez e refletir no cintilar dos olhos me é tão particular e tão cativante quando o calor do sol às seis horas da manhã. Seu nome ? Não, não é segredo ou beija-flor, mas também não tenho permissão ou desejo de dize-lo. Em meus próprios pensamenteos o misto de amor e medo, amor não... talvez necessidade de tê-lo como a mim , me estremecem de forma que evito chamá-lo por nome de pia.

A primeira vez aconteceu de nos vermos no Labirinto, de Ariadne, Teseu, Dioniso ou Eros não vem ao caso agora. Olhares perderam-se e talvez ainda hoje se possa encontrar alum ou outro a transitar por lá em busca de outro que o veja. Hoje nos vemos. Em meio à árovres e preguiças, à sombrassear formigas, estávamos lá. As mãos tão juntas e a pele tão próxima. Um só veículo. E o dia passou-se tão rápido... E ainda ouço a sua voz grave, como um sopro do deus do Mar; ele ecoa em meus ouvidos. Ele ecoa em mim.

sábado, 3 de outubro de 2009

Top 5 Setembro

Melhores Filmes

1- O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
2- Cinema Paradiso
3 - P.S. Eu te amo
4 - Escritores da Liberdade
5 - Lavoura Arcaica


Melhores Músicas

1 - Quando o Amor Vacila (Maria Bethânia)
2 - Mal Secreto ( Gal Costa)
3 - Cayman Islands ( Kings of Convenience)
4 - Megalabares ( Maria Monte)
5 - O Circo ( Maria Bethânia)

Melhores Livros

1 - Correspondência Incompleta ( Ana Cristina César)
2 - Poemas de Álvaro de Campos ( Fernando Pessoa)
3 - Dioniso a céu aberto ( Marcel Dietinne)
4 - Um sopro de Vida ( Clarice Lispector)
5- Coração Amarelo ( Pablo Neruda)


Acontecimentos

1 -  Conheci o Jonathan
2 -comecei a montar a videoteca
3 - comecei a escrever minhas memórias
4 - comecei  estudar espanhol
5 - Discussão com a Maria

Pessoas/ Novos Amigos

1 - Felipe
2 - Jonathan
3- Marcello
4 - Netto
5 - Nando

Não pode ser Sério mesmo!


Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério

Não é sério (...)
Eu sei como é difícil

Eu sei como é difícil acreditar
Mas essa porra um dia vai mudar
Se não mudar, pra onde vou...
Não to cansado de tentar de novo
Passa a bola, eu jogo o jogo (...)
O que eu consigo ver é só um terço do problema

É o Sistema que tem que mudar
Não se pode parar de lutar
Senão, não muda
A Juventude tem que estar a fim
Tem que se unir
O abuso do trabalho infantil, a ignorância
Faz diminuir a esperança
Na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério, não é sério
Então Deixa ele viver. É o que Liga.

(Não É Sério ,Composição: Chorão / Champignon / Pelado / Negra Li)





Esse tema não deveria ser discutido no conteúdo deste blog, mas devido á sua emergência, preciso escrevê-lo. A falta de coerência, senso crítico e responsabilidade dos jovens da minha idade é assustadora e hontestamente me amedronta.
Ainda há pouco conversava com um amigo. Conversa besta e sem relevância, até um determinado ponto, onde  o retrato se revela nu e cru. A maioria das pessoas da minha idade estão contamidas pela doença mundial: ausência de opinião própria.E quanto isso aconteve, erros absurdos do passado podem ser repetidos por pessoas mais espertas e que têm o domínio de ferramentas que podem fazer com que suas opiniões sejam também a de pessoas como os meus amigos inférteis. E repito, enfático e consciente do que digo, que isso pode ser perigoso.
 Vejo hoje dois extremos odiáveis: a ausência de opinião e a extrema opinião. Quando se falta opinião, geralmente caí-se no erro do fanatismo por alguém que a tenha, e nem sempre essa opinião vai tomar partido de algo benéfico. Quando se tem em excesso, pode-se correr o perigo se considerar unicamente a sua como certa e adequada. De qualquer forma... quando se vê isso, pode-se acreditar que um bom mundo é inviável com pessoas, que são o presente e o futuro.. pessoas aparentemente iguais a mim, iguais a alguns dos que lêem isso... Em todo caso, prefiro ir pela máxima do Marcos Maciel quando diz que " o otimista pode até errar, mas o pessimistá já começa errando" ,e  acreditar que a natureza, a inata indestrutibilidade da vida pode surpreender!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

a ordem e a desordem das coisas

Eu não lembro bem como, talvez me lembre dentro de algumas semanas, mas esse pensamento furtivo me assaltou. Estava analisando alguma coisa que sob meu ponto de vista precisava ser melhor escrita. A conclusão a que cheguei foi que deveriam usar a expressão “somos iguais, apesar de diferentes” mesmo a colocação mais adequada para toda a situação da vida fosse um oposto, que olhando de soslaio não muda muita coisa “somos diferentes, apesar de iguais”, porque no fundo essa é a realidade, esse é o fato.


No cismo louco da roda que gira e do homem que mata, cresce, reproduz e nasce, a diferença é marca da igualdade. Não sei até onde se estende essa ampla rede de relações, essa coisa toda que é a exuberância da vida... mas imagino que deva ser longa, posto que não se pode destruí-la, e os deuses bem sabem disso.

Vida e morte se entrelaçam num jogo de devir e suspeita. E só nos resta arcar com nossas responsabilidades, fazer nossas escolhas e encará-las como parte inevitável do processo.

E vivo. E tento. Sou humano em dizer que tento entender, e sou mais humilde ainda ao dizer que apesar dos pesares, mesmo não entendendo às vezes, eu admiro tudo isso que pula, transpassa e transborda os liames e limites do mundo.


sábado, 26 de setembro de 2009

Os 10 Melhores Títulos de Livro na Literatura Brasileira, por Mim

1- Amar: Verbo Instransitivo ( Mário de Andrate)
2- Uma Aprendizagem, ou O Livro dos Prazeres ( Clarice Lispector)
3 - Guia Mapa de Gabriel Arcanjo ( Nélida Piñon)
4- Há Uma Gota de Sangue Em Cada Poema (Mário de Andrade)
5- Lições de Abismo ( Gustavo Corção)
6 - Libertinagem (Manuel Bandeira)
7 - Cantares do Sem Nome e de Partidas (Hilda Hilst)
8 -Retrato Natural (Cecília Meireles)
9- Corpo ( Carlos Drumond de Andrade)
10- Inéditos e Dispersos (Ana Cristina César)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Página 79




Não, não foi "O Menino do Dedo Verde", foi uma bela mangueira no jardim da escola e um gesto inesperadao da minha professora de português no quinto ano do ensino fundamental que me iniciou no meu caminho enquanto politeísta. No Noumenia, depois da faxina enquanto limpava o altar no começo da noite encontrei uma foto da minha turma da escola, e lá estava ela, ao canto. Calada e reflexica como sempre, como eu até, talvez. Eu sempre fui calado como uma árvore. E numa dessas manhã de quinta-feira, quando todos chegávamos cedo porque a aula dela é a primeira ela sentou ao meu lado e me deu um livro chamado " Diário". O livro era escrito apenas até a página 78. O restante.. era meu caminho. Hoje reencontrei o livro. E essa é justamente a minha primeira página. Obrigado a todos que fizeram parte da minha vida de alguma forma, obrigado aqueles que fazem a minha vida agora, e sejam bem vindos todos aqueles que virão até mim e a quem eu chegarei. A página 79 começa com meu nome.
" Já não sou mais o José Arthur dos planos de minha mãe. Sou o Thiago do inesperado e o Heliodoros do Sol de agora, e aqui renasce minha história"


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

sobre a liberadade de ser o que se quer ser




Por algum tempo estive muito preso a determinadas situações, e isso de alguma forma me fez perceber aspectos da vida e do ser que eu não me tinha oportunizado ver e sentir em momentos anteriores. Talvez por esses sucessivos processos ao longo da vida, eu fui sendo cobrado por coisas que apesar de serem possível com meu amadurecimento eram totalmente incondizentes para uma pessoa da minha idade. Não sei bem ao certo, mas acho que nunca fui uma pessoa tão normal mesmo. Sempre tive muitos silêncios e lacunas. Me calava quando achava que era adequado e calava também quando o momento exigia, mas o meu corpo não estava preparado. Com isso ganhei e perdi. Ganhei e perdi por confiar em quem não deveria, e perdi por confiar em quem deveria. E é por isso que me pego às vezes pensando sobre a qualidade e a responsabilidade daquilo que escolho.

Meu caminho sempre me foi muito nítido e esperado. Sempre tive oportunidade de flertar com as diversas matizes que ele me oferecia, sem contudo comprometer o meu trajeto. Assim tive amizades de uma vida inteira que duraram uma tarde ou uma semana. E amizades longas que hoje não são muito- significativas. Descobri que as pessoas das quais não nos lembramos muito bem são e podem ser muito singnitivas na construção daquilo que somos. Descobri que a maior parte daquelas que chamamos " Grandes Verdades da Humanidade" não têm o menor fundamento e que o fundamento e o significado estão nas coisas que fazemos porque acreditamos. Aprendi que apesar dos pesares sempre vale a pena acreditar na pessoa humana, mesmo que a alma seja pequena, como diz o Pessoa. Vi que os mortos podem estar mais vivos dentro de nós do que certos vivos que há muito estão mortos dentro de nós e do mundo.

Perder-se pode ser a maior garantia de encontrar alguma coisa. Perder a si próprio. Ser moderado, ver cada dia como um dia em si. Não cobrar da noite o que não lhe é própria. Sempre se aprende em todas as circunstâncias.  Vi que não é o tempo que determina o amadurecimento das pessoas, mas a  sua magia de alguma forma faz parte do nosso repertório pra entender como nosso amadurecimento nos adocina ou nos torna ácidos. E é assim que venho entendendo minha relação com o mundo. Um tanto poética e fática, às vezes, sensível em demasia em outros momentos, mas sempre como uma afirmação constante da vida.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Tríades

- Coisas sem as quais não posso viver
* Livros
* Lápis
* pessoas inteligentes

- Três livros que mudaram minha visão do mundo
* Dublinenses, James Joyce
* Uma Aprendizagem  ou O Livro dos Prazeres, Clarice Lispector
*  Ílíada , Homero

- Três autores sensacionais
* Clarice Lispector
* James JOyce
* Gabriel García Marques

- Três Músicas que Marcaram Minha vida hoje
* Acabu chorare, Novos Baianos
* Quando o Amor vacila, Maria Bethânia
* O'Sailor, Fiona Apple

- Três Vozes Fundamentais na Música
* Maria Bethânia
* Caetano Veloso
* Marisa Monte

- Três fatos que marcaram minha vida
* Abuso sexual aos seis anos
* Morte do meu avô aos sete
* Morte do Dheniel em 2003

- Três obras que marcaram minha experiência estética
* o filme GUERNICA , do Allain Resnais
* a tela Retirantes, do Portinari
* O escultura Cabocla, do Bruno Oliveira

- Três palavras que me justificam
* força
*sensibilidade
* visão

sábado, 5 de setembro de 2009

Sonhando com os deuses


É, os sonhos são uma esfere bem intimista e paradoxalmente universalista da condição do ser humano, no sentido de ser, não examente de espécie. Nas últimas semanas meus sonhos tem sido cada vez mais pertubadores, ou incogniscíveis.
Na última semana sonhei quatro vezes com Deméter. Normalmente isso não seria de se assustar, pois seria um fato comum. Mas é a exceção que constrói o significado. Hoje talvez tenha sido o estopim de todo essa pandemonia divina, de toda esse sequencial epifania.
Sonhei que estava num lugar rodeado de mata, pessoas iam e vinham , mas sem exatamente terem uma geografia. Eram sempre as pessoas do caminho, nunca as pessoas do lugar. Depois eu começava a percorrer a imensidão da cidade, do lugar,  era-me familiar aquela geografia. O caminho que durante quase um ano eu percorri resignadamente todos os dias. Porém, subtraiu-se a urbanidade. Ele voltou a um tempo em que não era mais ele. Era uma construção, um todo em elevação. As póucas casas que ali haviam eram como albergues e barracos. Então, andando por aquela deconstrução encontro uma série de relíquias.. tudo isso me lembrou a descida da deusa Inana, um mito de certa forma semelhante ao de Perséphone.
No mito "O Descenso de Inanna", a deusa desce por sua própria vontade ao reino dos mortos, onde Ela é morta e renasce. Assim, Inanna emergiu como uma deusa lunar, dona dos mistérios da vida e do renascimento, representados pela lua. Aqui Ela completa seu ciclo, tornando-se não só a deusa da terra e do céu, mas também do mundo subterrâneo.
 O mito conta sucessivamente como ela teve de abrir mão daquilo que a ornamentava, sete relíquias, para chegar até o Mundo dos Mortos. E foi assim que aconteceu comigo, porém em vez de abrir mão, eu encontrava as relíquias destroçadas. A primeira coisa que vi foram duas estátuas de Afrodite, aparentemente em gesso, uma ainda possível de restaurar, mas outra completamente destroçada. Eu peguei uma dessas. Após isso encontrei uma herma próxima a uma casa, ela estava toda molhada.  Eu a recolhoa. Essa foi a primera parte do sonho. A segunda parte eu me embrenhava em todo o caos da descontrução. E foi ali que tive quatro visões: meu irmão com a perna machucada, meus livors queimados, minha casa descontruida, e meus pronomes acabados.
Foi após tudo isso que eu chegava ao Mundo dos Mortos. E acordava, renascido, apesar de ctônico.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Carta de Sophie

Sophie,
Há algum tempo venho querendo lhe escrever e responder ao seu último e-mail. Ao mesmo tempo, me pareceria melhor conversar com você e dizer o que tenho a dizer de viva voz. Mas pelo menos será por escrito.
Como você pôde ver, não tenho estado bem ultimamente. É como se não me reconhecesse na minha própria existência . Uma espécie de angústia terrível, contra a qual não posso fazer grande coisa, senão seguir adiante para tentar superá-la, como sempre fiz. Quando nos conhecemos, você impôs uma condição: não ser a "quarta". Eu mantive o meu compromisso: há meses deixei de ver as "outras", não achando obviamente um meio de vê-las, sem fazer de você uma delas.
Achei que isso bastasse; achei que amar você e o seu amor seriam suficientes para que a angústia que me faz sempre querer buscar outros horizontes e me impede de ser tranquilo e, sem dúvida, de ser simplesmente feliz e "generoso", se aquietasse com o seu contato e na certeza de que o amor que você tem por mim foi o mais benéfico para mim, o mais benéfico que jamais tive, você sabe disso. Achei que a escrita seria um remédio, que meu "desassossego" se dissolveria nela para encontrar você.
Mas não. Estou pior ainda; não tenho condições sequer de lhe explicar o estado em que me encontro. Então, esta semana, comecei a procurar as "outras". E sei bem o que isso significa para mim e em que tipo de ciclo estou entrando. Jamais menti para você e não é agora que vou começar.
Houve uma outra regra que você impôs no início de nossa história: no dia em que deixássemos de ser amantes, seria inconcebível para você me ver novamente. Você sabe que essa imposição me parece desastrosa, injusta (já que você ainda vê B., R.,?) e compreensível (obviamente?); com isso, jamais poderia me tornar seu amigo.
Mas hoje, você pode avaliar a importância da minha decisão, uma vez que estou disposto a me curvar diante da sua vontade, pois deixar de ver você e de falar com você, de apreender o seu olhar sobre as coisas e os seres e a doçura com a qual você me trata são coisas das quais sentirei uma saudade infinita. Aconteça o que acontecer, saiba que nunca deixarei de amar você da maneira que sempre amei desde que nos conhecemos, e esse amor se estenderá em mim e, tenho certeza, jamais morrerá.
Mas hoje, seria a pior das farsas manter uma situação que você sabe tão bem quanto eu ter se tornado irremediável, mesmo com todo o amor que sentimos um pelo outro. E é justamente esse amor que me obriga a ser honesto com você mais uma vez, como última prova do que houve entre nós e que permanecerá único.
Gostaria que as coisas tivessem tomado um rumo diferente.
Cuide de você.
X

J, C.

Um eclipse passou por mim.
Me deixou enebriado, louco, fascinado  e encantado
Logo depois fugiu de mim.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Novos Companheiros de Jornada

Agosto foi um mês bem produtivo. Novos amigos que chegaram à Biblioteca:

Hino Homérico IV a Hermes - Ordep Trindade Serra
Os Ritos e Mistérios de Eleusis - Dudley Wright
Métis: As Astúcias da Inteligência - Marcel Dietinne e Jean-Pierre Vernant
A Amizade no Mundo Clássico - David Konstan
Letramento e Oralidade na Grécia Antiga

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O dia em que vi uma preguiça

Fazendo um retrospecto deste mês, acredito que tenho muito a comemorar e mais ainda a agradecer. Consegui um emprego, revindiquei minha liberdade, e estou de volta à escrever me permitindo a mais variada gama de experiências. Acredito que um símbolo válido para isso tenha sido o meu encontro com uma simpática preguiça num desses passeios didáticos que venho me proporcionando.

capuz 31/08

O silêncio pode ser um chacal. Alguns silêncios falam mais que o grito de desespero.

domingo, 30 de agosto de 2009

10 dicas para irritar um operador de telemarketing

1. Imite alguém famoso
2. Finja uma masturbação
3. Dê um chá de cadeira
4. Finja-se de gago
5. Aja como um trote
6. Dê uma de surdo
7. Use as armas dele
8. Peça socorro
9. Fale tudo na língua do Pê
10. Conte a história da sua vida


A vingança está metadei feita.. rsrs

7 Coisas Interessantes sobre a China

1- Não existe fuso horário.
2 - Durante o ano novo chinês, que tem data móvel , de acordo com o calendário, acontece o maior movimento migratório do mundo. As famílias costumam viajar pelo país.
3- Privacidade não existe. Um dos legados do comunismo foi a negação do privado em favor do coletivo. É comum ver pesssoas ouvindo conversas alheias, ou bisbilhotando objetos pessoais. É como viver num banheiro de portas abertas.
4- Para fugir dos congestionamentos em banheiros públicos é comum  uso de fraldas geriátricas por adultos e adolescentes.
5- A população de chineses estudando inglês é igual á população dos Estados Unidos.
6 - Se morrer continue morto. Em 2007 o governo proibiu os lamas tibetanos de efetuarem rituais de ressucitação sem autorização. Tudo isso pra combater o crescimento da população.
7 - Nada de Curiosidade. Os pais não podem saber o sexo do filho antes do nascimento. Essa medida foi tomada para combater o excesso de abortos de meninas. Na China existe a lei do filho único, e como a preferência da maioria é por meninos, é comum o aborto das meninas quando os pais sabem.

sábado, 29 de agosto de 2009

Enfrentando a face de Ares - parte III

A Virtude da Guerra

Sexta-feira foi o dia de apresentar-me a junta militar. Foi lá que entendi como funciona a guerra. Sempre se pensa em violência, pessoas armadas por todos os lados, rigor e correria, e de fato, isso existe e é parte do que há lá. Mas há mais coisas. Descobri que a principal virtude de quem está na guerra é saber esperar. A maior parte do tempo numa guerra consiste de esperar. As guerras são vencidas por quem sabe esperar e ser mais rápido na hora de agir. É isso que estou fazendo.
Pediram-me que voltasse no dia 01 de Setembro, e é o que farei. Como sempre firme e altivo.

sábado, 22 de agosto de 2009

Mareia

Escrevo porque a palabra me é necessária. E pra ser sincero, não tenho esperança alguma que alguém me acompanhe. Transito sozinho por terra e mar. Transito. Não posso me furtar ao ofício de dizer que em mim é obrigação e fato. As palavras me fogem, como fogem a todos, mas eu as persigo, como fazem poucos. Não busco sentido, emoção ou comoção. Quero apenas a palavra, a palavra certa.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

As janelas da alma mostram segredos que alguns oráculos, quando lidos com os olhos fechados, tudo podem dizer

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Sim!"

"Sim, sumi. Sumi porque a experiência de desaparecer ainda me é estranha."

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Trem de Segunda

Trem de segunda

o nome já diz tudo

não há característica mais edequada que o título

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Pensando em Dioniso

Estive pensando numa coisa essas semanas.. intrigante como o deus que instiga à revelação, à limpeza e liberdade seja justamente aquele que use a máscara... acho que apesar de ser muito sofrível desejar alguma coisa, pior do que tudo isso é não saber o que se quer. Tenho certeza.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Mais um Pessoa

Grandes São os Desertos
- Fernando Pessoa

segunda-feira, 15 de junho de 2009

clima de mistério

Nos últimos dias uma aura de mistério vem tomando conta de mim. Estava lendo qualquer coisa quando tudo isso começou. A primeira pista para o grande mistério foi apenas um nome que, essencialmente, nada acrescentaria à minha leitura. Ao menos era o que eu pensava. Estava lendo sobre o culto agrário de Deméter, e suas relações com a religião de Apolo, quando o autor do ensaio elevou o nome de Mitra e o mitraísmo. As religiões de mistério eram comuns na antiguidade, pois ofereciam algo que podemos chamar de “instrução para a alma”, ao passo que a religião cível tinha em seus festivais eventos mais ligados à polis em si. Mas acontece que Mitra é um deus persa, que estaria ele fazendo ali, foi o que pensei de início. Fechei a pasta e me decidi a embrenhar-me no assunto.
Mitra talvez tenha entrado em contato mais íntimo com a Grécia através das Guerras Pérsicas, período no qual as relações entre Xerxes e a cultura persa estava em um contato mais próximo com a grega. Penso eu que, alguns aspectos do culto de Mitra, bem como a religião de mistérios de Mitra, o Mitraísmo, de alguma forma incorporou-se ao culto de Apollo e lhe agregou novos elementos. Conta o mito que Mitra tivera matado um touro e é nessa situação que ele a maior parte das vezes é representado. Alguns especialistas referem-se a isso como um sacrifício, ou uma purificação da terra para a colheita. Algo semelhante ocorria com o sacrifício de cabras à Dioniso, em restituição à videira que tivera sido devorada pelas cabras durante o período de engorda dos caprinos. Mitra tinha um culto muito ligado à terra, à agricultura, como aliás, também é peculiar a muitos ritos e religiões de mistério, inclusive os de Eleusis.
Tudo isso me fez lembrar de Apolo, pois foi justamente no dia do Thargelia que todo o clima de mistério começou a aparecer. De repente o nome ou a silhueta “mistério” se entranhava em todos os lugares. Não havia geografia que ele não ocupasse. E foi tudo um grande caminho: de Deméter, passando por Dioniso, Afrodite e Mitra, até chagar a Apollo, o começo e fim de tudo. E tudo isso precisamente no dia em que começo os festejos de Hérakles. Não é nada que esteja no calendário, mas apenas um momento que escolhi para me purificar dos miasmas e poder me apresentar de forma mais leve perante os deuses. Não sei onde esse clima de mistério vai parar, mas sei que há muita coisa por acontecer, e esse, penso eu, é o grande mistério: o enigma das reticências. ∞

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Impressões do Festival

Impressões do Festival

Fugido das normas, lá vou eu em busca do contraditório. Um festival de poesias. A priori, nada demais, aliás tudo na normalidade: pessoas extravagantes e pessoas bonitas. Pessoas vestidas de preto, pessoas vestidas de branco e pessoas vestidas de preto e branco. Havia também aqueles que não tinham medo de chamar a atenção, mesmo a grande parte dos ouvintes não sendo um público especializado,e que consequentemente aquela imagem “repulsiva” que muitos tentavam transpor, a fim, ao menos é o que penso, de levar uma reflexão sobre determinada informação à mente de quem vê para uma reflexão esperada. Mas enfim... como disse anteriormente, nada demais, nada surpreendente. Até o começo das apresentações pelo menos.
Como sou alheio à sociologismos, permaneci calado, apenas pensando nas coisas que via e ouvia. Aumentaram quase tudo: a quantidade de premiações, as atividades desenvolvidas, os inscritos, os autores e principalmente a variedade. A noite para mim começou com a apresentação da companhia Arlequim, belíssimo espetáculo misturando música, teatro e números circenses. Uma linda moça de rosas no cabelo, voz de naiáde e corpo de nimphe, iluminou a luz da lua, justamente no momento em que ela, mesmo sem aparecer ao nossos olhos, se nos fez presente. Comida! Eis uma novidade atraente... a apresentação do livro da Fidélia Cassandra outra felicidade.
Mas então começam as apresentações que me levaram até lá. Sinceramente.... não fiquei feliz. Performances muito longas e pouco poéticas, e performances moderadamente ilustradas. Apenas uma de cara limpa. No último festival a marca foram os guarda-chuvas destroçados, prenunciando um momento de crise onde não havia teto, ou cobertura. Poemas depressivos em sua maioria. Esse ano os símbolos mudaram, mas ainda pôde-se ver simbologias e significados semelhantes. Trocou-se os guarda-chuvas, que não guardam sequer a cabeça do poeta, por crianças e alegorias da pobreza-escravidão. A melancolia e o autopsicografismo permanecem, afinal... vai saber, não é mesmo? O público gosta dessas coisas, de saber que pensa que está pensando.... tem gosto pra tudo no mundo. Salvou-se apenas o texto do Misael Batista, que mais uma vez justifica a que vem.
No tocante às performaces a noite teve um nome: Márcio Bacellar. Sem dúvida. Três apresentações, três personagens distintos e surpreendetes. Que dizer além disso? Parabéns. Com erros e acertos, ainda sim foi um ótimo festival.

domingo, 24 de maio de 2009

Um ano depois

Exatamente há um ano atrás eu comecei aquele que seria o pior dia do ano. O dia em que fui abandonado. Desde esse dia um afluente de tristeza começou a descarregar em mim. De tanto chorara acabei ficando doente, coisa muito rara.
Talvez eu seja mórbido, ou um tanto sádico, mas foto é que há alguns dias eu esperava ansioso pelo dia de hoje apenas pra dizer essas coisas. Mas as coisas mudaram. Aliás, elas têm a incrível capacidade de mudarem, e isso é mais que esplêndido. Hoje, um ano depois, vejo mudanças positivas. Encontrei pessoas mais valorosas, aprendi mais, intelectualmente, moralmente e socialmente. Convivi com pessoas dos mais diferentes círculos, adquiri novas habilidades, perdi algumas. Mas o essencial é que eu passei do estado de colocar a culpa em mim mesmo pelos erros que eu não houvera cometido, e na pré-posição desses erros eu me acertei. Eu cresci, mas não num estilo “olhos nos olhos”: ‘quando você me quiser rever/ já vai me encontrar refeita/ pode crer / olhos nos olhos quero ver o que você diz/ quero ver como suporta me ver tão feliz’, mas sim em um estilo ‘no final tudo dá certo de algum jeito’ como diz a Zélia Duncan, mas o essencial é que eu tomei autoconsciência de uma coisa que eu já sabia: o melhor sempre acontece, mesmo que não seja aquilo que nós imaginávamos. Pode parecer estranho, mas a meu ver é o que há de mais lógico e coerente, pois no afã egoísta de querer que as coisas sejam como nós queremos que elas sejam, acabamos nos distanciando um pouco do essencial à nossa humanidade, que é a nossa natureza fluvial e terrestre: emoções e raízes.
Um ano depois do Felipe cometi muitos erros. Principalmente o da burrice, que por vezes se disfarça de habilidade, de maestria, mas não foi o meu caso. Foi pura burrice, no afã de querer o que desejava, eu acabei atropelando minha intuição. Não vou dizer que “isso nunca mais vai se repetir, porque eu tomei vergonha na cara” porque acho uma medida um tanto precipitada. Vou dizer apenas que aprendi a ser uma pessoa cem por cento coerente comigo mesmo. Aprendi a recusar artificialismos e falsidades além do necessário. Aprendi a reconhecer o que há de real nas coisas, mas acima de tudo aprendi que não sei tudo, mas que um dia eu senti tudo.
Não tenho pretensões saudosistas. Reconhece o respeito aos limites humanos imposto pelo provérbio de Sólon “considere o tempo”. Vi que há muitas incoerências no mundo, mas isso não é novidade pra ninguém. Sei que não adianta fingir quer elas não existem, mas acima de tudo sei que há um poder na imaginação, um poder de positividade, aquele poder peculiar a algumas pessoas que apesar de puxar para o solo o faz com um alegria estilo corrente elétrica! E isso não tem igual.
Conheci pessoas sensacionais, me aproximei de outras tão sensacionais quanto, porém que eu não via. E reaprendi a enxergar e a ver. Ver com todos os sentidos. Aprendi também a interpretar aquilo que vi, e posso até dizer que estou me habituando a uma sensibilidade que me é própria, mas que eu sincera e humanamente desconhecia em mim mesmo. Consigo, com simplicidade, tocar. E pra finalizar a conversa, sei que não sou do tipo aberto pra conversar a meu próprio respeito, mas esse texto é uma prova do meu maior orgulho: estou tomando consciência de mim mesmo e aprendendo a mudar aquilo que não penso ser coerente com aquele projeto que eu tracei para mim mesmo. Desenvolvi um vínculo maior com os deuses, e Eles voltaram a aparecer diante de mim, ou, mais provavelmente como penso, eu voltei a vê-Los como devo... Hoje, sempre a hora de dormir eu vejo Afrodite e Hermes, fugidos de Zeus e Hefesto sobre meu ombro a conversar peculiaridades da vida dos mortais como eu. Vejo Apolo em cada olhar ensolarado, e Ártemis em cada atitude honesta. Zeus sempre me aparece, seja na chuva ou na caminhada, e de Hermes então, esse mesmo não me abandona; fiel amigo, o mais próximo dos homens. Não tem frescuras com dizemos comumente.
Um ano depois só tenho a agradecer, e me desejar, mesmo que atrasado, um parabéns! Não com o uso irônico que faço mais que cotidianamente, mas com uma sinceridade de quem se reconhece como amigo de si mesmo.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Inferno Astral?

Os astrólogos costumam dizer que o intervalo composto entre os quinze dias antes e os quinze dias depois do dia de aniversário (há alguns que dizem que esse período é maior). Nesse período misturam-se as melhores coisas do ano e as piores coisas também; é algo do tipo “fim de novela”, quando os mocinhos ficam felizes para sempre e os malvados sofrem as penúrias de que são merecedores. Mas como na vida real ninguém é 100% bom tampouco 100% mau, as coisas se misturam e temos ônus e graças. Comigo não deixa de ser diferente ( e por que não haveria de ser ? )
Tudo começou no primeiro dia do Thargelia. Festival de Apolo para as purificações e entrega dos primeiros frutos da estação. Esse é um festival peculiar. Antes de qualquer coisa ele é um festival para purificação da comunidade de seus miasmas. Segundo ele começa bem antes do começo propriamente dito. E foi o que fiz. Uma semana antes eu comecei a meditar, a fazer um anamnese, uma sondagem em clima de auto-avaliação. Quais os defeitos, más condutas, vícios que eu gostaria de eliminar, de me purificar? Foi quando tomei consciência disso que comecei a construção do meu pharmakos, que é uma espécie de bode expiatório; na antiguidade ele era um representante da comunidade, especialmente sem quaisquer atributos. Mas como hoje não podemos, na verdade não temos como sair por aí banindo as pessoas de nossas vidas, como maldições, eu fiz uso de um Kolosso, uma espécie de boneca vodu usada na Antiga Grécia. Fiz três, uma para mim, uma para minha casa e uma para a casa do meu namorado. Até aí tudo bem, deixei as bonecas bem acomodadas, com seus colares de bulbo de cebolas pintados e tudo o mais.
A aflição do inferno astral começou no dia anterior ao início do festival. Fui ao banco tirar dinheiro para ir ao mercado e comprar coisas para celebrar o festival. Coisas simples e baratas: milho, cevada, leite e queijo de cabra, azeite. Tudo para ser entregue como oferta. Mas aí fui ao banco e nada! Só no próximo dia. Tudo bem, ainda havia tempo. Próximo dia: feriado de dia do trabalho. Consegui o dinheiro, mas cadê os mercadores? No Mercado Público não havia nenhum mercador que vendesse os produtos da minha lista. Podia ser pior do que acabar com meu planejamento? Abstraí imaginando que não, mas ao chegar a casa eu percebi que as coisas, como bem ensinam as Moiras, o destino, podem ser surpreendentes. Então... Cadê meu pharmakos ? Misteriosamente desapareceram... Coisa de Hermes, o divino ronda portas? Até agora não sei.
Cansado de tudo que estava acontecendo e logo depois de ter levado uma topada sentei na cadeira em frente à horta de ervas... o céu totalmente nublado de repente começou a revelar-se-me. Raios de sol vindos de longe, como Apolo, vinham a mim em algo como que uma epifania. Entrei em transe... Também pudera... Todo o dia atabalhoado e sem comer... Qualquer coisa poderia me comover, mas aquilo era diferente. Sempre fui um tanto criativo, mas os deuses não são imaginações. São realidades concretas. Imagens de golfinhos e serpentes astrais me envolviam sucessivamente, me picando e me curando... Um cheiro de mel subiu ao ar. Pensei que fosse coisa de Zeus, a mando de seu filho. Algo semelhante ao que houvera acontecido a Orestes, purificado com sangue por Apolo após o assassinato da mãe. O festival não estava se revelando desejoso de acontecer da forma como eu o havia planejado. Então, aproveitei o momento de solidão e distanciamento e me ergui. Fui à geladeira, catei minha jarra de libações. Coloquei o leite dentro da jarra e consagrei aos deuses gêmeos. Fui até o quartinho de ferramentas e catei algumas pedras de carvão, acendi-as no fogão e as coloquei no braseiro. Assim que pagaram em brasa junto às demais, depositei um pouco de incenso sobre a brasa e fiz a libação do leite aos gêmeos e fiz a Eles uma oferta de canjica.
Sei que não é das coisas mais convencionais, mas acredito antes de tudo que os deuses apreciam as ações espontâneas. Talvez sejam nelas que Eles vejam nossa real dedicação a Eles.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Sonho Conto de 7.7.2008

Almíscar, canela e rosas. Aroma.
No escuro vejo o teu corpo em suspenso. Ressurecto. Os olhos taciturno, os lábios só se me fazem sentidos pela dança. As palavras são a sinfonia dos códigos; tua voz.
As nádegas firmes, os ombros largo, igualmente firmes. E as coxas, sobre as quais meus olhos depositam sua fé, lá estão meus sonhos: o mundo. A visão da peça prateada a envolver teus dedos é atordoante, mais que a execução.
Não durmo. Os olhos fechados frente ao escuro para te ver. Cadenciados, seguem os passos para fora da cama. O corpo quente denuncia a antítese da noite sintestésica que não quer acabar - ou eu que não a deixo pelo sádico prazer de ver-te ? Fico ali, parado, catatônico;costurando os silêncios necessários.
Só o movimento dos teus braços em torno de mim podem dar mobilidade, mas a maré não vem e eu receio retornas àquela densidade. Coisa que não desejo.
Caso queira responder não sejas tão óbvio. Use os contornos. Me faça felzi como um passo de dança, posto que o diário é um livro de dias em forma de rio, e como rio, ele sempre corre e nunca é o mesmo, como eu não sou o mesmo todo dia.
Meu liame acaba. O Sol se anuncia e ei-me indo às chuvas, exarir-me.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Dia de Chuva



Porque um caminhão atropelou a lógica
imaterial e fixa, tudo imanente às coisas
E eu me vi correndo,
fustigado
louco
encadeado
preso pelos liames divinos

sexta-feira, 17 de abril de 2009

1915

Não sou nada
Meu ser no mundo se limita e esse um metro e oitenta e dois centimetros
que é minha medida no mundo
sou um pedaço de massa
bem medidos sessenta e seis quilo
e sei que não sou fixo
quando for não dirão: muda-se algo no mundo.
Não se calarão, nem comemorão;
serei sempre apenas o que tinha qualidades
o senhor dos perfumes
o conselheiro ácido e inexorável
nada mais.
E na dialética besta, seca e oca do mundo
ele continaará a não ser eu

A massa perderá sua flexível sustentabilidade
cairá, sob a terra estará lá
caída e desvanecida
incosciente

terça-feira, 31 de março de 2009

Probalística

Todo
Homem
Inconto
ainda
Gira
Orbital

Desiste
Espera.

Ou
Limita-se
Indo
Vendo
Este
Irônico
Riso
Amargo

Abecedário


Já que além da XUXA até o próprio Giles Deleuze se deu ao direito de criar um abecedário próprio, estou eu aqui, embuído de sentimento semelhante a criar o meu também.
A de Astúcia
B de Beleza
C de Coragem
D de Dúvida
E de Elegânia
F de Frida Kahlo
G de Gratidão
H de Homero
I de Infância
J de Justo
L de Liberdade
M de Mar
N de Nada
O de ósculo
P de Poe
Q de Quereres
R de resistência
S de Sobriedade
T de Terra
U de Útil
V de Verdade
X de Xilogravura
Z de Zeus
... mas como agora inventaram uma tal reforma ortográfica o antigo alfabeto brasileira, atual alfabeto da língua portuguesa adotou como legítima três novas imigrantes, aqui seguem:
Whem
You
kill ?

Ritmo

a lua
a rua
as tuas costas nuas

o astro
o carro
o vago pensamento estático

grito fosco

a pira
a rima
a herma desfalecida

o eco
o oco
novo
o vento em teus cabelos

o certo
o perto
indisperto

mudo eco novo

o ego
o cego
o érebo

a luz do sol em teu corpo como a dança do mar nas ondas do porto

4 Razões pelas quais não acredito na moral Judaico -Cristã


1 - Não, o "reino dos céus" não é dos fracos, miseráveis, desvalidos e moralmente alejados; é doh osmens fortes e virtuosos que apesar dos desatinos e angústias da vima lutam, pulam e creem.


2 - Pureza não significa unicamente virgindade.


3 - A piedade, a pobreza e a injusta concordância não mudam o mundo. Coragem e sensibilidade, isso sim é capaz de promover mudanças substanciais.


4- Não posso conceber um ideal ético-religioso que não vá de encontro à minha humanidade.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Eros e Psiquê

Maria Bethania - Eros e Psique - Fernando Pessoa



"Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia."


Fernando Pessoa


quarta-feira, 25 de março de 2009

Retalhos de uma imaginária caixa digital


As pessoas sem imaginação podem ter vivido as maiores emoções e as melhores aventuras, mas nada lhes ficou. Uma vida nã basta apenas ser vivida. Ela precisa ser sonhada.


Me atolei num útero de lama (Cobra Norato)


Mais vale o cavalo que é cego por não controlar-se ou não ter opção, ao homem que mesmo sendo "senhor de si", se permite vedar os olhos frente às diversas possibilidades do ser e do acaso.

A única coisa mais forte que a persistência do ócio em se fazer repetitivo a cada instante é a aparente incapacidade de grande parte das pessoas em mudar o dia...

O que já foi feito não é suficente

As vezes as sombras do passado podem revirar a ordem do presente

segunda-feira, 16 de março de 2009


É preciso andar ao menos com uma das mãos livres , assim os deuses podem monstrar-se junto à nós, pois Eles sempre estão. Pena que nem sempre os reconheçamos.

terça-feira, 10 de março de 2009

Capas






Aqui estão as três capas da Trilogia Primário. E então ? Que acharam ?

Decom-posição

As árvores recolheram-se para dentro de si com tamanha força e veemência que já não se lhes podia ouvir as vozes ou suspiros. Movimentavam-se rápida e silenciosamente, mas não podíamos mais ver-lhas ao nosso lado. Erguiam-se, soberbas e majestosas, como sempre, mas não as entedíamos mais. Perdemos o dom da fala. E no posto em que estavam, frágeis e fortes, apenas nos pareciam troncos enormes e suspensos. Não é madeira, não é entidade. É lenha.

Capítulo II


Ele debruçava-se sobre a mesa a fim de assimilar, por mais que falsamente, a intenção do texto expresso no volume. Tão falsa quanto o interesse eram seis resultados. Mas tentava. Tentava e não sabia por quê. Cansava-se facilmente. Olhava a janela no afã de recobrar a força.
Janela à fora via tudo aquilo a que resistia: crianças, plantas, barulho. Mantinha a janela sempre fechada. Como sempre, hermeticamente fechada, quase vedada. Por ali não passaria qualquer ruído que fosse. Até o momento funcionava de maneira eficaz.
Odiava porque amava. Havia em tudo aquilo um momento, breves instantes de saudade. O mover das folhas: calmo e sutil; as crianças: agitadas e frementes. Contrastes complementares. O saudosismo lhe penetrava a mente.
Era domingo. Sol e luz. As crianças tomavam banhos de mangueira nos gramado frente a suas casas e lhe transformava o chão em poças de lama marrom-tristeza. A fim de preencher um tom de cor que já não havia em sua palheta ou em sua vida. Preenchia a casa com flores: as mais belas. Tentativa ? Certamente.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Como soletrar mnemônico


Pela primeira vez fui indicado, pela minha companheira helênica Alexandra (http://www.sofalex.blogspot.com/) para o MEME. Como dizia o Jean-Pierre Vernand " Os gregos inventaram tudo". O termo MEME é de origem grega, oriundo de mimema, que pode ser traduzido como um núcleo cultural, enfim..alguma coisa que se transmite de pessoa para pessoa... como aqueles e-mails virais (a comparação é meio chula, mas vale à pena).

Para participar do MEME é precioso seguir cinco regras:
- escrever essas 5 regras antes de seu meme para deixar mais claro;
- colocar o link de quem te indicou ao meme no teu blog;
- contar seis fatos aleatórios sobre você (essa é a parte mais importante);
- indicar seis blogueiros para continuar a brincadeira;
- avisar esses blogueiros que eles foram indicados.
Cumpriadas as duas primeiras exigências, segamos!

SEIS FATOS ALEATÓRIOS SOBRE MIM

01- Sou a pessoa mais estranha que eu mesmo conheço. Isso per si não precisa de demais comentários

02- Desde os 12 anos comecei a interpretar as cartas do tarot e outros oráculos, com uma certa inclinação para o sonho e para o mito inteior, sem ao menos conhecê-las. Foi numa dessas leituras oníricas que descobri a morte do meu avô materno.

3- Meu primeiro relacionamento foi com garotos, e como se não fosse o bastante , foi uma namoro a três que depois de uma semana não se sustentou e engendrou um segundo numa delicada cirurgia terapêutica de abortamento.

4- Aos quinze anos de idade escrevi meu primeiro livro de poemas para uma garota por quem estava apaixonado. Chamava-se " 13 luas e um verso mais: linhas, contos e encantos do eu para o meu"

5- Sou absurdamente intuitivo e dono de uma memória arrebatadora.

6- Desde sempre tenho medo de serpentes, fruto de sonhos possivelmente premonitórios que até hoje me assolam. Simultaneamente sou fascinado pelas artes do vôo. Aos seis anos de idade, quando meus pais não estavam em casa, eu já tramava planos de vôo pulando da laje da minha casa , há aproximadamente dois metros e meio de altura até o chã, onde eu colocava dois ou três colchões.

Indicações




Queen - We Are The Champions

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Para Crianças

Hora de Colorir!


Os gregos antigos e o prazer homoerótico

Crítica ao livro : A Homossexualidade na Grécia Antiga, de J. K. Dover


Na Antiguidade grega, a "pederastia", ou seja, a relação sexual entre o homem mais velho, o "erastes", e o rapaz jovem, o "erômenos"', era aprovada, incentivada e tomada como modelo de ética amorosa.
Porém é enganoso projetar no passado os hábitos mentais do presente. A relação "pederástica" não coincide com a moderna relação "homossexual". Na Grécia não existiam palavras para designar o que chamamos de "homossexualidade" e "heterossexualidade" porque simplesmente não existia a idéia de "sexualidade". A sexualidade é uma construção cultural recente, como mostrou Foucault. No mundo helênico havia um eros múltiplo, heterogêneo, sem contrapartida no imaginário de hoje. Assim, o eros da "pederastia" era, em sua "natureza", diverso do eros presente entre homens e mulheres ou mulheres e mulheres. Por princípio era virtuoso, ao contrário da "homossexualidade" contemporânea, tida como vício, doença, "degeneração" ou perversão, desde que foi inventada pelas ideologias jurídico-médico-psiquiátricas do século XIX.
Entretanto, inventada justamente porque era dirigida para a virtude, a "pederastia" era draconiamente regulada em seu exercício. O que estava em jogo era a educação do cidadão, portanto, toda conduta que evocasse passividade e excesso, era considerada indigna. O "erômeno" não podia ser passivo na relação amorosa, isto é, não podia ser penetrado, pressionado física ou moralmente a ceder aos avanços sexuais do "erastes", subornado com dinheiro ou presentes etc. Do mesmo modo, toda desmedida, toda "hybris", era igualmente reprovada por seu pouco viril. Os amantes deviam ser comedidos, evitando exageros lúbricos ou apaixonados. A boa vida era a vida política. Em conseqüência, o uso dos prazeres devia estar a serviço da honra do cidadão. A liberdade sexual privada, como a concebemos, era impensável na Grécia.
Mas, como disse certa vez Hannah Arendt, só um grande pensador é capaz de grandes contradições. K.J. Dover, no livro, A Homossexualidade na Grécia Antiga mostra de forma magistral a peculiaridade histórica da "pederastia"; por que, então, denominá-la de "homossexualidade"? Porque, penso, como quase todos, em nossa cultura, acredita na existência de algo chamado "sexualidade", "heterossexualidade" e "homossexualidade", independente dos elementos implicados na definição dos termos. Explico melhor. Sexualidade é um termo aplicado à uma série de realidades lingüísticas e não-lingüísticas como: descrições médico-biológicas do aparelho reprodutivo; descrições de sentimentos como amor, paixão, afeto etc; descrições de sensações corpóreas como orgasmo, excitação física, ejaculação etc; descrições de regras e instituições de parentesco, como família, casamento, maridos, esposas, filhos, namoro, paquera etc; descrições de julgamentos e atitudes morais diante do que é permitido, proibido, desejado, condenado, rebaixado, ridicularizado etc.
Dover acha que o que existe de comum entre a "pederastia" e a "homossexualidade" é a "disposição para buscar prazer sensorial por meio do contato corporal com pessoas do próprio sexo, de preferência ao contato com o outro sexo". Mas o que é "buscar prazer sensorial com pessoas do mesmo sexo ou do sexo oposto"? Buscar prazer sensorial, sentir-se atraído por outro do mesmo sexo biológico, pode ser descrito da mesma forma como descrevemos a "atração" de um planeta por outro ou o tropismo de uma planta pelo sol?
Uma "homossexualidade" como a grega, que impedia contatos físicos entre homens adultos, coito anal e manifestações apaixonadas dos parceiros e que, além disso, fazia da "pederastia" a mais nobre forma de aparecimento de eros aos mortais é a mesma "homossexualidade" descrita como "perversão", "desvio" ou produto de "disposições genéticas", conforme a ideologia do momento? Mais ainda. Uma "homossexualidade" recomendada como louvável e praticada por toda elite moral, intelectual, política, artística, guerreira, religiosa de uma sociedade culturalmente sofisticada como a grega, seria a mesma "homossexualidade" das minorias "gays"; dos encontros clandestinos em guetos: da culpa e da vergonha presentes na esmagadora maioria dos que sentem tal tipo de inclinação erótica?
Como e por que ver na "pederastia", pensada desta forma, uma ocorrência particular de uma "homossexualidade" universal? Basta falar de "disposição ao prazer sensorial com pessoas do mesmo sexo", para homogeneizar a "pederastia" e a e a "homossexualidade"? Duvido. Uma frase como esta não resistiria minimamente ao teste do valor erótico diferencial dos objetos, em Freud; da inescrutabilidade do referente, em Quine; da autonomia do sentido, em relação ao suporte referencial, em Wittgenstein ou ao problema do referente sem realidade, em Davidson. A crença de Dover numa "homossexualidade" trans-histórica, igual a ela mesma no tempo e no espaço, é produto de nossa "disposição imaginária" para crer numa essência da "homossexualidade" que, no entanto, só existe e tem sentido quando holisticamente articulada ao vocabulário moral da sexualidade burguesa oitocentista. Foi a partir do momento em a família nuclear organizou-se em torno das figuras do homem-pai; da mulher-mãe; da criança-pai psicológico do adulto etc, que todos os indivíduos do mundo passaram a dividir-se em "heterossexuais" e "homossexuais" e esta divisão passou a tornar-se "natural" e "evidente por si mesma". Desde então, médicos, psiquiatras, higienistas, pedagogos, juristas, moralistas, psicanalistas e a "vox populi" começaram a caça à "homossexualidade" escondida ou manifesta dos "homossexuais", descobrindo-a em "estruturas"; "disposições"; "traumas" ou em qualquer outra invenção estapafúrdia, plausível aos olhos do preconceito.
O uso do termo "homossexualidade", num estudo do quilate de "A Homossexualidade Grega", surpreende e mostra, ao mesmo tempo, a força performativa das palavras na construção linguística de nossas crenças, desejos e subjetividades. Mas, como mostrou Freud, dizemos sempre mais do que queremos dizer. Para quem ainda não está totalmente convertido à cultura do sexo-rei, com suas homossexualidades, heterossexualidades e bissexualidades, a leitura deste livro fascinante é obrigatória. Em suma, uma obra-prima com uma etiqueta infeliz.



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